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Marcello José Abbud
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Aterros sanitários e o perigo de uma crise ambiental

Henrik Valdsen
Henrik Valdsen junho 16, 2026
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6 Min de leitura
Marcello José Abbud

Marcello José Abbud, empresário e especialista em soluções ambientais, está entre os profissionais que acompanham um debate que vem ganhando força dentro e fora do Brasil: até quando os modelos tradicionais de destinação de resíduos conseguirão atender às necessidades das cidades? O assunto ganhou relevância nos últimos anos à medida que o crescimento urbano, o aumento do consumo e as metas de sustentabilidade passaram a pressionar sistemas que, em muitos municípios, já operam próximos de sua capacidade.

Contents
O crescimento das cidades mudou a dimensão do problemaPor que os aterros sanitários passaram a ser discutidos com mais frequência?O que está mudando na gestão de resíduos?A tecnologia pode ajudar a reduzir a dependência dos aterros?O debate não é sobre o fim dos aterros, mas sobre o próximo passo

Durante décadas, os aterros sanitários representaram uma das principais soluções para a destinação final dos resíduos sólidos urbanos. No entanto, a realidade atual tem levado gestores públicos, especialistas e empresas a questionarem se esse modelo, sozinho, será suficiente para responder aos desafios das próximas décadas. A discussão deixou de ser apenas ambiental e passou a envolver planejamento urbano, eficiência operacional e desenvolvimento sustentável. Mais do que uma questão de espaço físico, o debate envolve a forma como as cidades pretendem lidar com a crescente geração de resíduos. E é justamente nesse ponto que surgem novas perguntas sobre inovação, reaproveitamento de materiais e o futuro da gestão de resíduos.

O crescimento das cidades mudou a dimensão do problema

O aumento da população urbana trouxe avanços importantes para a economia e para a infraestrutura dos municípios. Ao mesmo tempo, também elevou significativamente a quantidade de resíduos gerados diariamente. Em diversas regiões, os sistemas de coleta e destinação precisaram se adaptar a uma realidade muito diferente daquela existente há algumas décadas.

Esse cenário tem provocado uma mudança na forma como o tema é tratado. Se antes a principal preocupação era garantir um local adequado para disposição final dos resíduos, hoje cresce a necessidade de reduzir o volume encaminhado aos aterros. Na avaliação de Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, o desafio atual está menos relacionado à simples destinação e mais à capacidade de desenvolver modelos sustentáveis para lidar com a geração crescente de resíduos urbanos.

Por que os aterros sanitários passaram a ser discutidos com mais frequência?

A preocupação não está necessariamente ligada ao desaparecimento imediato dos aterros sanitários, mas à percepção de que eles possuem limitações naturais. Toda área destinada à disposição final possui vida útil definida e exige planejamento constante para continuar operando de forma segura e eficiente.

Além disso, questões ambientais e econômicas passaram a ocupar um papel cada vez mais relevante nas decisões relacionadas à gestão urbana. Segundo Marcello José Abbud, referência em tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos sólidos urbanos, municípios que dependem exclusivamente dos aterros tendem a enfrentar desafios crescentes à medida que a geração de resíduos aumenta e as exigências ambientais se tornam mais rigorosas.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Esse movimento ajuda a explicar por que tantos projetos voltados à redução, recuperação e valorização de resíduos ganharam espaço nos últimos anos.

O que está mudando na gestão de resíduos?

Uma das transformações mais importantes observadas recentemente é a mudança de percepção sobre aquilo que tradicionalmente era tratado apenas como descarte. Em diferentes países, cresce o entendimento de que parte significativa dos resíduos possui potencial para reaproveitamento, reciclagem ou valorização energética.

De acordo com Marcello José Abbud, essa mudança está diretamente relacionada ao avanço da economia circular. Em vez de concentrar esforços apenas na destinação final, o objetivo passa a ser reduzir perdas e ampliar o aproveitamento dos materiais ao longo de toda a cadeia. Essa abordagem não elimina a importância dos aterros sanitários, mas contribui para reduzir a pressão sobre essas estruturas e ampliar sua vida útil. Ao mesmo tempo, abre espaço para soluções mais alinhadas às demandas atuais de sustentabilidade.

A tecnologia pode ajudar a reduzir a dependência dos aterros?

A resposta para essa pergunta passa, cada vez mais, pela inovação ambiental. Novas tecnologias vêm permitindo avanços em áreas como triagem de resíduos, monitoramento de operações, recuperação de materiais e processos voltados à valorização energética. Sendo assim, na opinião de Marcello José Abbud, o futuro da gestão de resíduos dependerá da capacidade de integrar tecnologia, planejamento e eficiência operacional. 

Ou seja, não se trata de substituir completamente os aterros sanitários, mas de construir sistemas mais inteligentes e preparados para lidar com os desafios que acompanham o crescimento urbano. À medida que essas soluções evoluem, cresce também a possibilidade de transformar resíduos em recursos capazes de gerar benefícios ambientais e econômicos para os municípios.

O debate não é sobre o fim dos aterros, mas sobre o próximo passo

Os aterros sanitários continuarão desempenhando um papel importante dentro dos sistemas de gestão de resíduos. No entanto, o debate atual sugere que o futuro do setor dependerá cada vez mais da capacidade de reduzir a dependência exclusiva desse modelo e ampliar alternativas sustentáveis.

No ponto de vista de Marcello José Abbud, as cidades que conseguirem antecipar essa transformação estarão mais preparadas para enfrentar desafios ambientais, operacionais e econômicos nos próximos anos. O verdadeiro limite talvez não esteja nos aterros em si, mas na capacidade de continuar tratando os resíduos da mesma forma em um mundo que exige soluções cada vez mais eficientes.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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