Jornal Jurídico
  • Home
  • Notícias
  • Política
  • Tecnologia
  • Sobre Nós
Reading: Marco Legal da IA chega à Câmara dos Deputados em 2026 com impacto direto para escritórios de advocacia e o exercício da profissão jurídica
Compartilhe
Jornal JurídicoJornal Jurídico
Font ResizerAa
Search
  • Home
  • Notícias
  • Política
  • Tecnologia
  • Sobre Nós
Follow US
© Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Jornal Jurídico > Blog > Tecnologia > Marco Legal da IA chega à Câmara dos Deputados em 2026 com impacto direto para escritórios de advocacia e o exercício da profissão jurídica
Tecnologia

Marco Legal da IA chega à Câmara dos Deputados em 2026 com impacto direto para escritórios de advocacia e o exercício da profissão jurídica

Henrik Valdsen
Henrik Valdsen junho 25, 2026
Compartilhe
8 Min de leitura

O PL 2338/2023 aprovado pelo Senado impõe obrigações de transparência, governança e responsabilidade civil para sistemas de inteligência artificial, com multas de até R$ 50 milhões, e transforma a conformidade tecnológica em uma frente estratégica para advogados brasileiros.

Contents
O que muda para advogados e escritóriosAs obrigações concretas previstas no textoO debate ainda aberto na CâmaraPreparação agora e não depois

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para os escritórios de advocacia brasileiros. Ferramentas de pesquisa jurídica automatizada, geração de petições, análise de jurisprudência e triagem de documentos já integram o cotidiano de parte significativa da comunidade jurídica no Brasil. Pesquisa publicada pela Exame em 2026 indica que 77% dos advogados usam alguma forma de IA em seus trabalhos. Ao mesmo tempo, o Projeto de Lei 2338/2023, aprovado por unanimidade no Senado Federal em dezembro de 2024 e atualmente em tramitação na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, se aproxima de uma votação que vai transformar o uso dessas ferramentas em uma questão regulatória, com obrigações, responsabilidades e sanções previstas em lei.

O PL 2338/2023, conhecido como Marco Legal da Inteligência Artificial, se inspirou no modelo europeu do AI Act e adotou uma abordagem baseada em níveis de risco para classificar os sistemas de IA e definir o grau de exigência regulatória sobre cada categoria. Sistemas de risco excessivo ficam proibidos. Sistemas de alto risco ficam sujeitos a obrigações materiais de governança, transparência e avaliação de impacto antes do uso. As demais aplicações ficam sujeitas a um regime mais leve. A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) é prevista como autoridade central de regulação, com atuação complementar de organismos setoriais. O texto também cria o Sistema Nacional de Regulação e Governança de IA, a ser implementado após a aprovação definitiva.

O que muda para advogados e escritórios

Para a advocacia, o Marco Legal da IA abre cinco frentes de demanda, de acordo com análises especializadas. A primeira é a consultoria em compliance de IA para empresas que utilizam sistemas automatizados, área que tende a crescer de forma expressiva nos próximos anos, da mesma forma que a LGPD criou uma nova especialidade advocatícia a partir de 2020 e 2021. A segunda é a defesa de clientes que sofrerem danos decorrentes de decisões automatizadas e quiserem acionar os mecanismos de revisão humana e contestação previstos no projeto. A terceira é a assessoria para desenvolvedores e fornecedores de sistemas de IA que precisarão demonstrar conformidade com as exigências do marco regulatório. A quarta é a representação em processos administrativos perante a ANPD. A quinta é a atualização contratual, com revisão de acordos que envolvam IA nos termos previstos pela nova legislação.

Os anúncios de serviços jurídicos mediados por IA também passarão por novas exigências. O texto indica que ferramentas que utilizam inteligência artificial para auxiliar advogados, juízes e outros profissionais do direito precisarão informar de forma clara quando há IA envolvida na elaboração de documentos, orientações ou pareceres, além de indicar se houve supervisão humana sobre o conteúdo gerado. Para os consumidores de serviços jurídicos, isso representa um direito de saber quando estão recebendo um produto gerado ou triado por algoritmo, e não diretamente por um advogado humano.

As obrigações concretas previstas no texto

O PL 2338/2023 distribui responsabilidades entre desenvolvedores, fornecedores e usuários de sistemas de IA. Empresas que utilizam IA em áreas sensíveis como recursos humanos, saúde, setor financeiro, atendimento ao consumidor e seguros podem ser obrigadas a realizar avaliações prévias de impacto antes de colocar um sistema em funcionamento. Essas avaliações devem identificar riscos de discriminação, violações de privacidade e outras consequências negativas para os usuários. A lógica é semelhante à do Relatório de Impacto à Proteção de Dados (RIPD) previsto na LGPD, mas com escopo ampliado para os impactos específicos dos sistemas de IA.

As sanções previstas são significativas: multas de até R$ 50 milhões por infração, com o valor dobrado em caso de reincidência. O regime sancionatório aproxima o PL 2338 de outras legislações setoriais brasileiras que buscam induzir mudança de comportamento por meio de penalidades financeiras expressivas. Para empresas de menor porte, especialmente startups de legaltech, o custo de conformidade pode ser um obstáculo real ao desenvolvimento de novas ferramentas jurídicas, o que levou parte do setor a pedir durante a tramitação no Senado que o marco regulatório inclua tratamento diferenciado para micro e pequenas empresas.

O debate ainda aberto na Câmara

A tramitação do PL 2338/2023 na Câmara dos Deputados não é uma mera formalidade. O texto aprovado pelo Senado passou por um longo processo de consolidação de emendas e substitutivos, mas ainda carece de aprofundamento em pontos considerados críticos por especialistas. Entre eles estão: a definição mais precisa de quais tecnologias devem ser classificadas como de risco inaceitável no contexto brasileiro; os direitos autorais sobre obras protegidas utilizadas no treinamento de modelos de IA, tema que afeta diretamente a relação entre a indústria de IA e o mercado cultural; e os impactos ambientais do consumo energético dos data centers que sustentam os grandes modelos de linguagem.

Para a advocacia, dois pontos do texto merecem atenção especial. O primeiro é a previsão de mecanismos de revisão humana e contestação de decisões automatizadas, que abre um campo para atuação jurídica em defesa de clientes que foram prejudicados por algoritmos de contratação, de crédito, de seguro ou de acesso a serviços públicos. O segundo é a obrigação de transparência sobre o uso de IA em relações de consumo, o que inclui serviços jurídicos. O EU AI Act europeu, que entra em vigor em agosto de 2026, pode acelerar a votação do marco brasileiro, já que empresas com operações no Brasil e na Europa precisarão de regras locais definidas para estruturar sua estratégia de conformidade global.

Preparação agora e não depois

A aprovação do Marco Legal da IA na Câmara não tem data definida, mas os escritórios que esperam a lei ser publicada para começar a se preparar terão dificuldade de se adaptar rapidamente. A experiência da LGPD mostrou que o mercado subestimou o tempo necessário para adequação e que muitas empresas chegaram à vigência da lei sem os processos mínimos de compliance implementados. A diferença no caso da IA é que a velocidade de adoção da tecnologia é muito maior do que a velocidade de regulação, o que significa que escritórios, departamentos jurídicos e empresas de legaltech já acumulam riscos antes mesmo da lei ser promulgada. Entender agora o que o PL 2338/2023 exige, mapear quais sistemas de IA a empresa ou o escritório utiliza e classificá-los por nível de risco são passos que podem ser dados sem esperar a publicação da lei no Diário Oficial.

Fontes: Senado Federal, PL 2338/2023, Exame, Mind Consulting, Conjur

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Compartilhe este artigo
Facebook Twitter Email Copie o lnk Print

Categorias

  • Notícias264
  • Política50
  • Tecnologia54
Pedro francisco Guimarães Solino
Venda casada em serviços financeiros: Pedro Francisco Guimarães Solino explica como identificar a prática
setembro 18, 2026
Yuri Silva Portela
Medicina preventiva ganha relevância diante do envelhecimento populacional
agosto 4, 2026

Jornal Jurídico: Sua fonte completa para as últimas notícias sobre política, tecnologia e os principais acontecimentos locais e mundiais. Acompanhe análises aprofundadas, reportagens exclusivas e opiniões de especialistas para se manter informado sobre tudo o que impacta o seu dia a dia.

Pessoa usando um tablet para preencher um formulário de votação digital.
OAB aprova novas regras eleitorais com reserva de vagas para advogados com deficiência
setembro 30, 2026
AGU pede ao STF perda definitiva do cargo de ministro do STJ por acusações de assédio
setembro 23, 2026

Jornal Jurídico – [email protected] – tel.(11)91754-6532

  • Home
  • Sobre Nós
  • Notícias
  • Contato
Welcome Back!

Sign in to your account

Lost your password?