Enquanto parte do mercado de administração fiduciária avança por meio de fusões e aquisições para sustentar o investimento tecnológico exigido pela indústria, Rodrigo Balassiano observa que a ID CTVM constituiu cerca de 74% de sua carteira organicamente dentro da própria instituição
A ID CTVM acompanha um movimento de consolidação entre prestadores de infraestrutura fiduciária no Brasil, impulsionado pela necessidade crescente de investimento em tecnologia de conciliação, escrituração e controladoria. Rodrigo Balassiano destaca que a ID CTVM, no entanto, construiu sua base de fundos por um caminho distinto do observado em boa parte desse movimento: cerca de 74% de sua carteira foi constituída organicamente dentro da própria instituição, e não por meio da incorporação de carteiras de terceiros.
Consolidação responde à escala tecnológica exigida pela indústria
O crescimento acelerado da indústria brasileira de fundos estruturados elevou substancialmente as exigências tecnológicas sobre administradores fiduciários, custodiantes e prestadores de controladoria. Processos que antes podiam ser sustentados por equipes menores, apoiadas em ferramentas relativamente simples de conciliação, hoje demandam plataformas capazes de processar grandes volumes de dados em tempo real, com rastreabilidade completa das operações. Esse patamar de investimento tecnológico tem levado parte do mercado a buscar escala por meio de fusões e aquisições, movimento que combina, de um lado, prestadores de menor porte em busca de capital e de plataformas mais robustas e, de outro, administradores de maior porte interessados em ampliar rapidamente sua base de fundos administrados.
Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, reconhece a lógica por trás desse movimento de consolidação, mas pondera que ele não é o único caminho possível para sustentar a escala tecnológica que a indústria hoje exige.
“A consolidação por fusão ou aquisição é uma resposta legítima a um mercado que exige cada vez mais investimento em tecnologia. Mas existe outro caminho, que é crescer organicamente, estruturando cada novo fundo dentro da própria plataforma, com os mesmos padrões de governança e a mesma arquitetura tecnológica desde o primeiro dia. Foi esse o caminho que a ID CTVM escolheu percorrer“, avalia o executivo.
Crescimento organicamente constituído preserva consistência de padrões
Uma carteira de fundos constituída, em sua maior parte, dentro da própria instituição tende a apresentar maior uniformidade em aspectos como critérios de governança, protocolos de auditoria de lastro e integração tecnológica entre diferentes ambientes de controladoria e custódia, já que cada fundo nasce sob o mesmo conjunto de processos e sistemas, sem precisar ser posteriormente migrado ou adaptado a partir de uma plataforma legada, herdada de uma aquisição.
Essa consistência contrasta com um desafio comum a processos de fusão e aquisição no setor: a integração de carteiras originadas sob padrões tecnológicos e de governança distintos, tarefa que costuma exigir um período de transição até que todos os fundos incorporados passem a operar sob os mesmos protocolos da instituição adquirente. Rodrigo Balassiano nota que esse período de adaptação, embora administrável, representa um custo operacional que o crescimento organicamente constituído tende a evitar.
Escala alcançada sustenta a viabilidade do modelo orgânico
O modelo adotado pela ID CTVM não impediu a companhia de alcançar escala relevante dentro da indústria. A instituição, fundada em outubro de 2020, reúne atualmente mais de 550 fundos sob administração fiduciária e custódia, distribuídos entre estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs, o que demonstra que crescimento organicamente constituído e volume de operações não são, na prática, caminhos excludentes.
Para Rodrigo Balassiano, sustentar esse ritmo de expansão sem recorrer a aquisições depende diretamente da capacidade de a própria infraestrutura tecnológica da companhia absorver novos fundos com agilidade, sem que cada nova estrutura exija um projeto de integração dedicado. Segundo o diretor, essa característica também influencia a forma como gestoras avaliam a escolha de um administrador fiduciário, já que uma plataforma construída de forma consistente desde a origem tende a oferecer previsibilidade maior sobre como um novo fundo será operacionalmente incorporado à base já existente.
Governança sob um único conjunto de critérios reduz risco de reputação
Rodrigo Balassiano nota ainda que a governança de uma carteira organicamente constituída se beneficia de um histórico integral de decisões tomadas sob o mesmo conjunto de critérios de elegibilidade, auditoria de lastro e monitoramento de covenants desde a estruturação de cada fundo. Em uma carteira incorporada por aquisição, parte desse histórico foi produzido sob a governança de outra instituição, o que exige, no mínimo, um trabalho de revisão para atestar que os padrões adotados anteriormente são compatíveis com os praticados pela instituição adquirente, etapa que carteiras organicamente constituídas dispensam por definição.
Dois modelos devem conviver na indústria
Rodrigo Balassiano pondera que a consolidação via fusões e aquisições e o crescimento organicamente constituído não são, necessariamente, modelos concorrentes, mas respostas distintas a uma mesma pressão estrutural sobre a indústria: a necessidade de sustentar investimento tecnológico crescente em um mercado que não para de se expandir. Para prestadores de menor porte que não dispõem de capital suficiente para acompanhar esse patamar de investimento isoladamente, a consolidação tende a seguir como caminho relevante. Já para instituições que conseguem sustentar esse investimento internamente, o crescimento organicamente constituído preserva vantagens específicas de consistência e governança ao longo do tempo.
Perspectivas para os modelos de crescimento na indústria fiduciária
Com a indústria brasileira de fundos estruturados seguindo em expansão e o patamar de investimento tecnológico exigido de administradores fiduciários continuando a subir, a tendência é que ambos os modelos de crescimento, por consolidação e organicamente constituído, sigam coexistindo, cada um atendendo a um perfil distinto de instituição e de estratégia de mercado. Para a ID CTVM, o caminho orgânico segue como eixo central de sua estratégia de expansão dentro da indústria de infraestrutura fiduciária brasileira.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.