TSE discute punição a Flávio Bolsonaro por avatar de Jair Bolsonaro criado com inteligência artificial

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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Caso envolve vídeo sintético exibido na convenção que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e pode ajudar a definir os limites jurídicos para o uso de IA nas Eleições 2026.

O uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais entrou novamente no centro das atenções da Justiça Eleitoral nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) discute como enquadrar juridicamente um avatar digital do ex-presidente Jair Bolsonaro utilizado durante a convenção partidária que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. (Folha de S.Paulo)

O episódio ganhou importância porque pode servir de referência para outros casos envolvendo vídeos, vozes e imagens produzidos artificialmente durante a campanha de 2026. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, marcou para quinta-feira (13) uma reunião com os demais ministros para buscar um entendimento sobre o tema. (RBA TV)

Segundo informações publicadas nesta quarta-feira, Nunes Marques considera a aplicação de multa a Flávio Bolsonaro. A avaliação relatada é que o episódio ocorreu durante uma convenção partidária, antes do período oficial de campanha, circunstância relevante para determinar a natureza e a gravidade da eventual infração. (UOL Notícias)

O que aconteceu com o vídeo de IA?

A controvérsia começou durante a convenção do PL realizada em julho para oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro.

No evento foi apresentado um conteúdo produzido com inteligência artificial que reproduzia digitalmente imagem e voz de Jair Bolsonaro. O vídeo simulava uma manifestação do ex-presidente em apoio à candidatura do filho. (Gazeta do Povo)

O uso do avatar provocou questionamentos jurídicos porque as regras eleitorais de 2026 estabelecem limites específicos para conteúdos sintéticos capazes de reproduzir pessoas reais.

Além disso, Jair Bolsonaro estava submetido a restrições judiciais relacionadas à divulgação de manifestações político-eleitorais, o que acrescentou outra dimensão jurídica ao episódio. (Migalhas)

Defesa diz que vídeo não tentou enganar eleitor

A defesa de Flávio Bolsonaro apresentou ao TSE uma interpretação diferente sobre o caso.

Segundo os argumentos apresentados, o simples uso da imagem de uma pessoa por inteligência artificial não deveria depender necessariamente de autorização prévia quando está claro para o público que se trata de uma representação artificial. (Folha de S.Paulo)

A defesa também sustenta que o conteúdo não pretendia fazer o eleitor acreditar que Jair Bolsonaro havia realmente gravado aquela manifestação.

Outro argumento compara determinadas representações criadas com IA a formas tradicionais de expressão política, como caricaturas e fantoches. A campanha afirma que a identificação clara da natureza artificial do conteúdo deve ser considerada pela Justiça Eleitoral. (JOTA Jornalismo)

Regras eleitorais restringem deepfakes

A discussão é mais ampla porque a Justiça Eleitoral estabeleceu regras específicas para inteligência artificial nas Eleições 2026.

Conteúdos manipulados ou sintéticos podem enfrentar restrições especialmente quando reproduzem imagem ou voz de pessoas reais para influenciar o eleitor.

O problema jurídico é diferenciar uma utilização permitida de inteligência artificial de um deepfake eleitoral proibido.

No caso analisado agora, a defesa argumenta que o vídeo estava claramente identificado como artificial e, portanto, não teria potencial para enganar quem assistia. (Folha de S.Paulo)

A interpretação final do TSE será importante justamente porque tecnologias generativas permitem produzir vídeos cada vez mais convincentes de pessoas dizendo ou fazendo coisas que nunca aconteceram.

TSE pode aplicar multa

Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, a tendência discutida internamente é pela aplicação de uma multa, e não necessariamente de uma punição capaz de comprometer imediatamente a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. (UOL Notícias)

Ainda assim, não existe decisão definitiva anunciada sobre o caso.

A reunião prevista para quinta-feira deverá permitir que os ministros discutam os limites jurídicos da inteligência artificial antes de consolidar uma posição.

O episódio poderá funcionar como um primeiro alerta às campanhas justamente quando começa o período mais intenso das Eleições 2026.

Caso pode criar referência para toda a campanha

O maior impacto do julgamento talvez não esteja apenas na eventual multa aplicada.

Uma interpretação clara do TSE poderá orientar partidos, candidatos, agências de publicidade e plataformas digitais sobre o que pode ou não ser feito com ferramentas generativas.

Imagine, por exemplo, um candidato criando artificialmente um vídeo no qual uma personalidade conhecida aparentemente declara apoio à sua campanha.

Mesmo que o material tenha uma pequena indicação de que foi produzido por inteligência artificial, ainda existe a discussão sobre se o eleitor poderia ser induzido a acreditar que aquela manifestação realmente aconteceu.

É justamente esse tipo de situação que torna necessária uma definição mais precisa sobre transparência, consentimento e capacidade de enganar.

Metade dos brasileiros defende proibição de vídeos eleitorais com IA

O assunto também preocupa os próprios eleitores.

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta semana apontou que 49,8% dos entrevistados defendem a proibição de vídeos e propagandas eleitorais produzidos com inteligência artificial. Outros 34,3% defendem a proibição apenas quando o material envolve notícias falsas. (Folha de S.Paulo)

Apenas 8,9% apoiaram o uso irrestrito dessas ferramentas durante as eleições, enquanto 7% não souberam responder.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre 5 e 9 de agosto e possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais. (Folha de S.Paulo)

IA será um dos grandes desafios das Eleições 2026

A capacidade das novas ferramentas de produzir vídeos, fotografias e gravações de voz realistas tornou a inteligência artificial um dos principais desafios tecnológicos enfrentados pela Justiça Eleitoral.

Um vídeo falso produzido alguns anos atrás normalmente exigia conhecimento técnico e equipamentos especializados.

Hoje, ferramentas generativas conseguem realizar parte desse trabalho em poucos minutos.

Isso amplia tanto as possibilidades legítimas de comunicação política quanto os riscos de desinformação, falsificação de declarações e manipulação da imagem de pessoas reais.

Decisão pode definir limite entre criatividade e manipulação

O caso de Flávio Bolsonaro coloca o TSE diante de uma questão que deverá aparecer repetidamente durante a campanha: quando uma representação criada por IA é apenas uma peça criativa e quando passa a ser uma manipulação eleitoral proibida?

A defesa sustenta que transparência e ausência de intenção de enganar devem ser elementos centrais dessa avaliação. (Folha de S.Paulo)

A Justiça Eleitoral, por outro lado, precisa considerar também o potencial que imagens e vozes sintéticas possuem para influenciar eleitores e criar artificialmente manifestações políticas que nunca aconteceram.

A reunião marcada para quinta-feira, 13 de agosto, poderá aproximar os ministros de um entendimento comum. (RBA TV)

Por isso, o episódio ultrapassa a eventual punição de uma candidatura específica. A interpretação adotada pelo TSE poderá ajudar a estabelecer as fronteiras jurídicas para o uso de inteligência artificial durante toda a campanha eleitoral de 2026, criando uma referência importante para candidatos e partidos em uma eleição na qual conteúdos sintéticos deverão aparecer com frequência.

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